Declaração anual do MEI é uma daquelas obrigações que muita gente subestima por parecer simples demais. E é justamente aí que mora o perigo. Apesar de ser uma declaração curta, fácil de preencher e feita apenas uma vez por ano, qualquer erro ou informação omitida pode gerar problemas sérios com a Receita Federal.
Todo MEI, independentemente de ter faturado muito, pouco ou até mesmo nada durante o ano, precisa entregar essa declaração. Ela é a única obrigação anual do microempreendedor individual e funciona como uma prestação de contas oficial do seu faturamento.
Muitos MEIs deixam para fazer essa declaração de última hora ou preenchem os dados “de cabeça”, sem conferir números. Outros, principalmente quem passou do limite de faturamento, acabam omitindo valores por medo. Isso é um erro grave. Ao enviar a declaração anual do MEI, você está afirmando que as informações prestadas são verdadeiras, e mentir pode gerar penalidades.
Neste guia passo a passo, você vai entender exatamente o que é a declaração anual do MEI, por que ela é tão importante e como fazer tudo da forma correta para evitar dores de cabeça no futuro.
O que é a declaração anual do MEI
A declaração anual do MEI é um documento obrigatório chamado oficialmente de DASN-SIMEI, que significa Declaração Anual do Simples Nacional do Microempreendedor Individual.
Na prática, essa declaração serve para informar à Receita Federal quanto o MEI faturou no ano anterior. É uma comunicação simples, mas extremamente importante, porque é por meio dela que o governo acompanha se o microempreendedor está respeitando os limites do regime do MEI.
É importante deixar algo muito claro:
essa declaração não serve para informar lucro, e sim faturamento. Ou seja, o valor total das vendas realizadas, independentemente de ter emitido nota fiscal ou não.
Outro ponto que gera muita confusão é achar que só precisa declarar quem emitiu nota fiscal. Isso não é verdade.
A declaração anual do MEI deve refletir o faturamento real, incluindo:
- Vendas com nota fiscal
- Vendas sem nota fiscal
- Serviços prestados para pessoa física
Tudo aquilo que foi receita do seu negócio deve ser informado.
Mesmo que você não tenha tido faturamento algum durante o ano, a declaração ainda assim precisa ser entregue, informando faturamento zero. Não entregar a declaração é um erro maior do que declarar que não faturou nada.
Em resumo, a declaração anual do MEI é:
Uma obrigação legal
Um controle do seu faturamento anual
Um critério para verificar se você permaneceu dentro do limite do MEI
Entender isso é o primeiro passo para preencher a declaração corretamente e evitar problemas desnecessários.

Qual é o prazo da declaração anual do MEI
A declaração anual do MEI tem um prazo bem definido e, apesar de muita gente deixar para a última hora, não existe nenhuma vantagem em esperar.
O período de entrega começa normalmente em janeiro de cada ano, quando o sistema da Receita Federal é liberado, e vai até o final de maio. Essa declaração sempre se refere ao faturamento do ano anterior.
Por exemplo:
Se estamos em 2026, a declaração anual do MEI será referente ao faturamento de 2025.
Um erro comum é achar que o sistema não funciona logo no início do ano. Em alguns dias de janeiro, pode realmente haver instabilidade, mas isso não significa que você precisa esperar até maio. Quanto antes você entregar, melhor.
Entregar a declaração com antecedência evita:
Esquecimento do prazo
Pressa para preencher os dados
Risco de erro por falta de conferência
Outro ponto importante é que o prazo é o mesmo para todos os MEIs, independentemente do faturamento. Não importa se você faturou pouco, muito ou nada. A obrigação é igual para todos.
Se você perdeu o prazo, a declaração ainda pode ser enviada, mas haverá multa por atraso. E quanto mais você demora, maior tende a ser o problema acumulado.
Por isso, trate a declaração anual do MEI como um compromisso fixo do início do ano. Coloque na agenda, organize os números com calma e evite dores de cabeça desnecessárias.
O que acontece se não entregar a declaração anual do MEI
Deixar de entregar a declaração anual do MEI pode parecer algo pequeno, mas as consequências vão muito além de um simples aviso. A Receita Federal trata essa obrigação com bastante seriedade, justamente porque ela é a principal forma de controle do faturamento do microempreendedor individual.
O primeiro problema que surge é a multa por atraso. Mesmo que você entregue a declaração depois do prazo, a Receita aplica uma penalidade financeira. O valor pode até parecer baixo em um primeiro momento, mas ele se acumula com o tempo se a situação não for regularizada.
Mas a multa não é o maior risco.
O CNPJ do MEI pode ficar irregular
Quando a declaração anual do MEI não é entregue, o CNPJ pode ser marcado como irregular. Isso pode gerar dificuldades para emitir notas fiscais, abrir conta bancária, contratar serviços e até acessar crédito.
Dificuldade para gerar o DAS mensal
Em alguns casos, o sistema pode impedir a emissão do boleto mensal do MEI enquanto a situação não for regularizada. Isso gera um efeito em cascata, acumulando mais pendências.
Risco de fiscalização
A ausência da declaração chama atenção da Receita Federal. E quando o órgão começa a olhar com mais cuidado, qualquer inconsistência pode virar um problema maior.
Existe ainda um ponto que muitos MEIs ignoram:
não declarar é diferente de declarar errado, mas ambos geram consequências. Só que declarar errado, principalmente omitindo faturamento, pode ser interpretado como prestação de informação falsa.
Por isso, mesmo que você tenha perdido o prazo, o melhor caminho é regularizar o quanto antes. Quanto mais você demora, maior tende a ser o impacto e mais difícil fica resolver.
Como informar corretamente o faturamento na declaração anual do MEI
Essa é, sem dúvida, a parte mais sensível da declaração anual do MEI. É aqui que muitos erros acontecem e onde a maioria dos problemas com a Receita Federal começa.
O primeiro ponto que você precisa entender é simples, mas fundamental:
a declaração anual do MEI deve refletir o faturamento real do seu negócio.
Faturamento não é lucro.
Faturamento não é o que “sobrou”.
Faturamento é todo o valor que entrou como resultado das vendas ou serviços prestados.
Isso inclui:
Vendas com nota fiscal
Vendas sem nota fiscal
Serviços prestados para pessoas físicas
Se você vendeu, recebeu e aquilo foi receita do seu negócio, entra na declaração.
Um erro muito comum é informar apenas o que foi emitido em nota fiscal. Isso está errado. A Receita deixa claro que a declaração deve considerar tudo o que foi faturado, independentemente da emissão de nota.
Outro erro grave é “arredondar” valores ou chutar números por não ter controle. Quando você envia a declaração anual do MEI, você assume a responsabilidade pelas informações prestadas. Informar um valor incorreto pode gerar inconsistência com dados bancários, movimentações e cruzamentos futuros.
Se você não tem um controle organizado, a melhor forma de levantar o faturamento é:
Conferir o extrato bancário do ano inteiro
Separar o que foi receita de vendas
Desconsiderar transferências, empréstimos ou valores que não sejam venda
Tudo aquilo que não é venda não entra na declaração. Mas tudo o que é venda, entra obrigatoriamente.
Aqui vai um alerta importante:
O medo de declarar o valor correto não pode levar à omissão de receita. Declarar menos do que faturou pode parecer uma saída no curto prazo, mas no longo prazo isso pode gerar autuações, multas e até problemas mais sérios.
Informar corretamente o faturamento é o que garante que a declaração anual do MEI cumpra seu papel e não se transforme em uma dor de cabeça no futuro.

Faturei acima do limite do MEI: o que fazer
Esse é o ponto que mais gera medo em quem vai fazer a declaração anual do MEI. Muitos microempreendedores percebem que passaram do limite de faturamento e não sabem como agir — e, por insegurança, acabam tomando a pior decisão possível: omitir informação.
Antes de qualquer coisa, é preciso ser direto:
faturar acima do limite do MEI não é crime.
Crime é não declarar corretamente.
O MEI tem um limite anual de faturamento. Quando esse limite é ultrapassado, a Receita Federal precisa ser informada por meio da declaração anual do MEI. É exatamente para isso que essa declaração existe.
O que não pode acontecer é você declarar um valor menor do que o faturado para “continuar como MEI”. Ao fazer isso, você está prestando informação falsa, e isso pode gerar penalidades bem mais sérias do que o simples desenquadramento.
Quando o faturamento ultrapassa o limite, existem basicamente dois cenários:
Ultrapassou pouco o limite
Em alguns casos, é possível continuar no Simples Nacional, pagando a diferença de impostos. Mas isso precisa ser analisado com cuidado, porque envolve cálculo e regularização.
Ultrapassou significativamente o limite
Nesse caso, ocorre o desenquadramento do MEI, e o negócio precisa migrar para outro regime. Isso não é automático nem imediato, mas exige orientação correta para não gerar passivos tributários.
O maior erro aqui é tentar “empurrar com a barriga” ou achar que a Receita não vai perceber. Com cruzamento de dados bancários, notas fiscais e movimentações, a chance de inconsistência aparecer é real.
Por isso, se você faturou acima do limite, a melhor decisão é:
Declarar o valor correto na declaração anual do MEI
Entender qual será o próximo enquadramento
Se orientar para regularizar da forma menos onerosa possível
Declarar corretamente pode gerar ajustes, mas não declarar ou mentir pode gerar problemas muito maiores.
Como se organizar para não errar na declaração
Se existe um motivo claro para erros na declaração anual do MEI, esse motivo é a falta de organização ao longo do ano. A boa notícia é que organizar não é complicado, mas exige constância.
O maior erro de muitos MEIs é tentar descobrir, no começo do ano seguinte, quanto faturaram no ano inteiro. Quando isso acontece, a chance de esquecer valores, confundir entradas e errar na declaração aumenta muito.
A organização ideal começa mês a mês.
Controle mensal de faturamento
O ideal é que você registre, todo mês, quanto faturou. Pode ser em uma planilha simples, um caderno ou um sistema, desde que exista um controle claro.
Separar o que é venda do que não é venda
Nem todo dinheiro que entra na conta é faturamento. Transferências pessoais, empréstimos, devoluções ou aportes não entram na declaração. Somente receita de vendas ou serviços prestados.
Guardar notas fiscais e comprovantes
Mesmo que você não emita nota para todas as vendas, tudo que for emitido deve ser guardado. Isso ajuda a confrontar informações e evita inconsistências.
Agora, se você já está no período da declaração e não se organizou ao longo do ano, ainda existe um caminho.
Conferir o extrato bancário completo do ano
Analise mês a mês tudo o que entrou na conta e identifique o que foi receita de vendas. Não é o cenário ideal, mas é melhor do que “chutar” valores.
A organização não serve apenas para preencher a declaração anual do MEI. Ela serve para:
Evitar erros
Evitar multas
Evitar problemas com a Receita Federal
Quanto mais organizado você for durante o ano, mais simples e tranquila será a entrega da declaração.
Como acessar o sistema da Receita Federal para declarar
Depois de entender os valores corretos e se organizar, o próximo passo da declaração anual do MEI é acessar o sistema certo da Receita Federal. E aqui existe um cuidado muito importante, porque muita gente acaba entrando em sites errados e pagando por algo que é gratuito.
A declaração anual do MEI é feita diretamente no site oficial do governo, no Portal do Simples Nacional. Não é necessário pagar nenhuma taxa para entregar essa declaração quando ela é feita dentro do prazo.
O acesso é simples e pode ser feito pelo próprio MEI, sem contador, desde que os dados estejam corretos.
O que você vai precisar para acessar o sistema:
CNPJ do MEI
CPF do titular
Código de acesso ou conta gov.br
Dentro do sistema, você seleciona o ano-calendário que está declarando e informa:
O faturamento bruto do ano
Se houve ou não empregado registrado
O preenchimento é rápido, mas isso não significa que pode ser feito sem atenção. Qualquer valor informado ali fica registrado na Receita Federal e pode ser cruzado com outras informações no futuro.
Um alerta importante:
não confunda o site oficial com sites de empresas privadas. Existem páginas que imitam o visual do governo e oferecem o serviço como se fosse obrigatório pagar. Você pode até contratar ajuda, se quiser, mas saiba que a entrega da declaração anual do MEI é gratuita quando feita no portal oficial.
Se você tem dúvidas, insegurança ou situações específicas, como faturamento acima do limite, buscar orientação é uma decisão inteligente. Mas nunca por achar que é “obrigatório pagar” para declarar.
Perguntas frequentes sobre declaração anual do MEI (FAQ)
O que é a declaração anual do MEI e por que ela é obrigatória?
A declaração anual do MEI é a DASN-SIMEI, usada para informar à Receita Federal o faturamento do microempreendedor no ano anterior. Ela é obrigatória porque é a principal forma de controle do limite do MEI e da regularidade do CNPJ.
Quem não teve faturamento precisa entregar a declaração anual do MEI?
Sim. Mesmo que o MEI não tenha faturado nada durante o ano, a declaração anual do MEI precisa ser entregue informando faturamento zero. Não entregar a declaração gera pendências e pode tornar o CNPJ irregular.
O que acontece se eu errar valores na declaração anual do MEI?
Informar valores errados na declaração anual do MEI pode gerar inconsistências com dados bancários e fiscais. Dependendo do caso, isso pode resultar em multas, notificações ou necessidade de retificação.
Posso mentir na declaração anual do MEI para não sair do limite?
Não. Mentir na declaração anual do MEI é considerado prestação de informação falsa. Mesmo que o medo seja sair do MEI, declarar valores incorretos pode gerar problemas muito mais sérios com a Receita Federal.
A declaração anual do MEI é paga?
Não. A entrega da declaração anual do MEI é gratuita quando feita no site oficial do governo. Cobranças só existem se você optar por contratar um serviço de terceiros para fazer a declaração por você.
Assista o vídeo completo para entender tudo sobre esse assunto:
Conclusão
A declaração anual do MEI é simples, mas está longe de ser irrelevante. Ela é a única obrigação anual do microempreendedor individual e funciona como um retrato oficial do seu faturamento perante a Receita Federal.
Preencher essa declaração com atenção, honestidade e organização evita multas, bloqueios no CNPJ e problemas futuros. O maior erro que um MEI pode cometer não é faturar mais, e sim omitir ou informar dados incorretos por medo ou falta de orientação.
Se você entende seus números, se organiza ao longo do ano e entrega a declaração dentro do prazo, esse processo deixa de ser um problema e passa a ser apenas mais uma etapa da gestão do seu negócio.
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